sexta-feira, 16 de junho de 2017

A Pharol é como uma árvore morta a flutuar com a maré

Ainda na senda das telecomunicações, analisamos hoje a Pharol. Se bem que, note-se, a Pharol tem actualmente menos de empresa de telecomunicações do que a mercearia do meu bairro. Esta cotada é, que fique bem claro, um veículo especulativo que não deve ser confundida de forma alguma com um investimento em valor. Mas, sabendo que ainda existe quem a detenha, e partindo do princípio que tudo sobe (até as UP do Montepio!?!) quando o mercado está eufórico, vale a pena dar uma vista de olhos ao gráfico. E a verdade é que a Pharol chegou a atingir uma valorização de 450% desde mínimos, dos quais pelo menos 110% poderiam ter sido capturados recorrendo a uma entrada por simples leitura do gráfico. Insano? Sem dúvida. Mas uma boa prova de que por vezes a ignorância em termos de AF até pode trazer benefícios.

Mas o entusiasmo parece estar a esgotar-se, e desde máximos o título já caiu mais de 40%. Ora, a definição de curto prazo poderá estar prestes a surgir, já que a Pharol está encurralada entre um suporte e uma resistência. A resistência dos 31 cêntimos, actualmente a ser testada, pode ser a derradeira fronteira para mais um rally. A ser quebrada em alta, pode muito bem levar o título novamente até à zona dos 36 cêntimos. A não ceder, pode motivar o regresso ao suporte dos 23,6. E esta marca representa agora o único refugio que pode impedir o título de entrar numa nova espiral depressiva (que será, diga-se, o caminho de longo prazo mais provável).

Apesar do forte rally ascendente a que assistimos no último ano, que fique bem claro que (na minha opinião pessoal) a Pharol não passa de uma árvore morta outrora pertencente a uma magnifica floresta que se encontra actualmente a flutuar com a maré. Pela sua instabilidade e componente 110% especulativa, será um título que eu não tenho o mínimo interesse em negociar, nem curto nem longo. Mas compreendo quem o faça, e admito que a sua volatilidade pode gerar retornos interessantes. Ainda assim, prefiro sem dúvida alavancar-me 10x numa empresa estável para me expor a este nível de oscilação financeira, do que negociar esta Pharol.


5 comentários:

Anónimo disse...

Boas Tiago

Não comentava ao tempo no teu blog mas deixa-me DISCORDAR totalmente do que dizes.

É verdade que a Pharol não é uma empresa de telecomunicações mas sim uma participação na 4 maior operadora brasileira, um mercado com 200M de clientes.

"Esta cotada é, que fique bem claro, um veículo especulativo que não deve ser confundida de forma alguma com um investimento em valor"

Porque motivo(s)? A participação de 26.5% na 4 maior operadora que será alvo de uma limpeza de balanço, altamente desvalorizada pelo mercado e a subir há vários meses (vê a evolução que tem tido em todos os segmentos de clientes e tipo) + a dívida na Rio Forte é assim um investimento tão mau? Se o é, porque motivo é que vários fundos tem aumentado as suas posicoes tanto na Oi como na Pharol?

Cumprimentos

Tiago esteves disse...

É bom termos opiniões diferentes, assim se geram as grandes ideias :)
Eu não digo que seja um mau investimento por si só, digo sim que é um investimento altamente especulativo num veículo financeiro que já não é uma empresa. A Pharol é hoje basicamente constituída por uma participação de 900M€ numa dívida da qual se estima apenas 9% ser cobravel, e por uma participação numa empresa que até ver está em falência técnica. Admito que exista margem para ganhos se a Oi for recuperada, mas nesse caso por que não investir directamente na Oi?
Um abraço!

Anónimo disse...

Desculpa Tiago, não assinei o comentário anterior (André). Já se passaram alguns "anos" desde que tive nos teus workshops e trocámos emails ;) Espero que esteja tudo bem contigo!

Não quis de forma alguma parecer indiferente ao teu texto, nem agressivo, pois valorizo bastante todas as tuas opiniões. De certa forma tens razão no que dizes, no entanto parece-me que o mercado poderá ver num prazo (12 a 18 meses), algo que não vê agora em relação à Pharol. Sim, a Pharol é altamente especulativa neste momento.

Não se sabe qual é o valor "efetivamente" a recuperar na RioForte, "estima-se em 9%" mas só saberemos quando a Rio Forte finalizar a venda do património que lhe sobra, incluindo a Herdade da Comporta. O mercado neste momento não está a considerar este valor a recuperar (e faz sentido)

Também pensei se seria melhor investir na Oi via (ADR) mas acabei por optar pela Pharol por ter dois extras (dívida Rio Forte e acções próprias).

Abraço,
André

formatted error free disse...

e o que pensam quanto à politica de dividendos da pharol? o ano passado com as acções a valerem quase um terço do que valem hoje distribuiu dividendos. Este ano parece que não. será que se estão a preparar para algum aumento de capital com vista a um aumento de capital da Oi?

Tiago esteves disse...

As minhas desculpas aos dois pela demora na resposta aos comentários.
André,compreendo a lógica da tua escolha. Além disso, ainda tens a não exposição ao câmbio, que acaba por ser um significativo risco acrescido. Ainda assim, como saberás, o risco de a Oi resultar numa enorme perda é significativa. Ninguém sabe o que acontecerá amanhã, mas hoje a Oi é um investimento altamente especulativo.

FEF, a política de dividendos tem sido muito estranha, já desde os tempos da PT. Eu tenho uma teoria muito própria, que já partilhei no ano passado. Desde que é pharol que os accionistas de referência não se conseguiam desfazer das suas posições, e então estavam a descapitalizar a empresa através de distribuição de dividendos. Agora, com uma situação mais esperançosa, preferem deixar uma reserva de capitais.