CTT ameaçam inversão após tocarem no valor da OPV

Terminamos a análise ao sector bancário com um título que ainda não dá cartas nesta área mas que está seguramente mais relacionado com o sector do que o fundo do Montepio. Os CTT vinham a atravessar um bom momento até meados de 2015, quando de repente inverteram de forma muito agressiva essa tendência. Desde então já levam quase 50% de desvalorização, o que é muitíssimo para um título que nos habituava a uma movimentação conservadora. A desvalorização do sector postal (superior a 3%/ano), e a aposta no banco postal, têm penalizado os resultados do grupo no curto prazo (este segundo  devido à fase de maturação em que ainda se encontra). Esperam-se contudo retornos a médio e longo prazo na aposta no sector bancário, e os 180 milhões de euros já captados em depósitos e afins são um primeiro indicativo desse potencial. Não é muito, comparativamente aos concorrentes directos, mas os CTT começam esta aventura com uma marca e um balanço de fazer inveja à esmagadora maioria dos bancos. Veremos como corre a ingressão no sector do crédito à habitação, no qual em breve se estrearão.

Regressando à análise técnica, parece assinalar-se no gráfico um potencial fundo em V. Como já esperava e defendia há anos que poderia acontecer, esta queda abrupta deteve-se no exacto valor de colocação dos títulos em bolsa. A subida foi muito forte após colocação em bolsa, e as marcas psicológicas provocadas (positivas, neste caso) valem para já uma reacção ascendente de 10%. A confirmar-se o breakout, este padrão poderá trazer o título até à zona dos 6,64€. Mais importante do que isso, o breakout pode atirar o título para uma inversão de médio prazo. Para já, a minha zona de fuga técnica fica abaixo do mínimo relativo. É um suporte muitíssimo poderoso, mas se a reacção em alta não for ajudada pela activação do fundo em V, podemos mesmo vir a assistir à sua quebra.

No gráfico horário, o padrão em V tem cara de H&S. E muito bom aspecto, diga-se. Depois da grande arrancada ascendente, o título consolida num canal/rectângulo horizontal. E, teoricamente, estará em acumulação para a quebra. Neste caso, as referências de negociação são mais claras. A quebra dos 6,133€ em alta marcará o breakout ascendente da consolidação, enquanto a quebra dos 5,973 marcará a quebra em baixa. Apesar da força da tendência ascendente de curto prazo, será prudente vigiar ambas as marcas. Não sendo a quebra em baixa dos 5,973 impeditiva de uma reacção em alta subsequente, será certamente um factor a ter em conta na tomada de decisão.



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