Uma análise ao PSI20

No dia que todos esperamos que venha a ser futuramente recordado como o dia de Portugal, parece-me bastante adequado fazer uma análise ao índice Nacional. Ora, comecemos por analisar o inevitável gap que se formou após a apresentação dos resultados que consagraram o Brexit como vencedor do referendo. Este gap, com 8% de amplitude entre o fecho do dia anterior e a abertura desse dia, é de uma enorme importância para o futuro de médio prazo do nosso índice. Dada a sua amplitude, nem sequer batida pela vela "irrevogável" (6,2%, nesse caso), o ponto de quebra representará com elevado grau de probabilidade uma brutal resistência à progressão do preço. Onde quero chegar com esta questão? Para mim, temos agora uma fronteira clara para o sentimento no PSI20. Abaixo dos 4690 pontos o índice continua bearish, e uma subida além dessa marca poderá representar uma inversão de sentimento de médio prazo.

Mas antes de lá chegar, ou de sequer se aproximar dessa marca, o índice terá de continuar o bom desempenho de curto prazo. Activou,  pouco tempo após atingir o fundo, um padrão de inversão que gerou uma importante reacção ascendente. Activa agora, uma vez mais, um segundo padrão que o pode ajudar a subir pelo menos até à zona dos 4534 pontos. Será isso suficiente para que o gap seja totalmente coberto? Vamos ver, um passo de cada vez. Mas, sendo bastante realista, é muito pouco provável. Parece-me que estamos a assistir a um ressalto secundário à tendência de médio prazo, que em princípio se irá esgotar ao primeiro sinal de contrariedade. É, por isso, demasiado arriscado tentar nesta zona entradas longas para o médio ou longo prazo. Quando muito, entradas de curto prazo baseadas no gráfico horário, mas mesmo aí o risco é enorme.


E quanto a suportes? Se a parte superior do gap serve de resistência, a sua parte inferior servirá de suporte. Quanto mais extensa se revelar a actual reacção ascendente, mais forte se tornará este suporte. Será suficiente para impedir que o índice volte a mínimos? Uma vez mais, é cedo para dizer, mas a tendência primária indiciaria que não. Como temos vindo a falar nos últimos meses/anos, o índice Português não está adequado para entradas longas. A tendência é clara, os sinais de força tardam em surgir, e a situação macroeconómica não ajuda. Vamo-nos guiando de sinal em sinal, passo a passo, mas nunca perdendo o realismo de quão difícil a situação está actualmente.

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