BPI dominado pelos cenários fundamentais

Depois da análise à situação da CGD, hoje vamos dar uma vista de olhos ao BPI. É um pouco ingrato analisar a banca na semana do referendo Britânico, pois qualquer que seja o sentido da votação poderá influenciar de forma significativa a movimentação dos mercados (sobretudo se o Sim à saída vencer). Como se isso não bastasse, estamos ainda sob a alçada da OPA pelo Caixabank, que tem grande probabilidade de vir mesmo a ser aprovada.

Tal como eu tinha previsto na última análise, a cotação tenderá nesta fase a oscilar entre a parte superior de um range quando o mercado antecipar a possibilidade de o Caixabank subir o valor da oferta, e a sua parte inferior quando o mercado antecipar a possibilidade de a desblindagem vir a falhar. Estando nós em Portugal, o país da imprevisibilidade jurídica, nem me atrevo a colocar cenários. Adianto, sim, que nesta fase a análise técnica pouca influência tem no preço. Com marcos fundamentais tão fortes a condicionar o preço das acções, o drive de movimento dependerá sempre destes factores.

Importa, ainda assim, estar atento ao gráfico. Caso algo de inesperado ocorra, é possível que tal se venha em primeiro lugar a reflectir na cotação, e somente depois se materialize em notícia. Importa, assim, vigiar o range de lateralização no qual o preço se vai movendo. Confesso que, pessoalmente, não tenho interesse em transaccionar BPI nesta fase. É um cenário imprevisível, e o prémio de risco não é deslumbrante. Para já, ficarei de fora a assistir. Caso a OPA falhe, aí ponderarei uma eventual movimentação.


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