Parece que a Mota Engil África sempre vai sair de bolsa...

Menos de um ano após o atribulado IPO, tudo indica que a retirada da Mota Engil África da bolsa de Amesterdão estará para breve. Além do IPO, também a sua estadia no agressivo mundo dos mercados foi bastante turbulenta. Com uma queda acumulada que atingiu os 70% entre extremos, o percurso descendente teve tanto de negativo como de surpreendente. Apesar da queda do preço dos combustíveis e da sede de dinheiro por parte dos investidores que tinham recebido os títulos como pagamento de dividendo (este segundo factor for particularmente subvalorizado por mim), não era expectável tamanha desvalorização para um título com um profundo potencial de longo prazo. 

A verdade é que o mercado é soberano, e este comportamento negativo vem agora servir de justificação para a sua retirada de mercado por parte da Mota Engil. A proposta de retirada basear-se-à no preço médio dos últimos seis meses, e dependerá pelo menos parcialmente de um AC que a Mota Engil fará para angariar o capital necessário para a operação. Do ponto de vista da casa-mãe, este é um negócio fantástico, semelhante aos que o Belmiro de Azevedo fez em tempos. Depois de lançar o título num pico de mercado, reabsorve-o agora com um desconto de 50% face ao preço de colocação. Eventualmente, se tudo correr bem, há-de ser vendido novamente dentro de uns anos a um preço superior. À partida, todas as condições para a retirada definitiva do título estarão reunidas, pelo que a sua absorção irá mesmo provavelmente acontecer ao preço actual de 6,12€. Esta proposta deverá ser aprovada a 23 de Novembro, e o prémio de risco de 5% que actualmente separa a cotação deste valor deverá rapidamente caminhar para o ponto de equilíbrio. Perde-se pela saída da congénere Africana de bolsa, ganhar-se-à pela estabilidade negocial que isso há-de trazer à casa-mãe.




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