Confirma-se o chumbo do BCP nos testes de stress. E agora?

Já é oficial.... O BCP foi mesmo um dos bancos que chumbou nos testes de stress, tal como algumas agências noticiosas vinham já a indicar há algum tempo. A acalmia antes dos resultados era tanta que cheguei mesmo a acreditar que o banco português iria conseguir passar nos testes. O chumbo acaba ainda assim por não ter grande relevância prática, já que se refere às contas de 2013. Começando por aí, qual é o interesse de avaliar a solidez da instituição no ano passado? Será uma espécie de salvaguarda para o BCE, para o caso de as coisas correrem mal? A verdade é que já ninguém dá muita importância aos testes de stress, que para terem uma designação mais correcta se deveriam chamar testes de "toca a limpar o lixo dos balanços, mas devagarinho para o mercado não entrar em pânico". Ora, o facto de o BCP já ter feito um aumento de capital que cobre as necessidades financeiras detectadas pelos testes de stress, e por já ter também procedido à alienação de alguns activos, liberta-lo-à à partida da necessidade de tomar medidas adicionais para cumprir os requisitos mínimos. Ainda assim, é importante salientar que, mesmo actualmente, o BCP apenas tem uma folga de 0,8% face ao mínimo exigido. Se, como já vem a ser hábito, no próximo ano houver novos testes de stress com medidas um pouco mais rígidas, o BCP poderá ter de tomar medidas adicionais.

Como reagirá o mercado a esta informação? É provável que reaja com alguma volatilidade, mas espantar-me-ia muito se o título caísse desgovernadamente nos próximos dias. Estes resultados só são uma novidade para os pequenos accionistas, como nós, já que os grandes players já terão certamente conhecimento deles há pelo menos uma semana. E se houvessem movimentações previstas, estas já teriam ocorrido. É inclusive  vergonhoso, na minha modesta opinião, que a Bloomberg tenha tido acesso a um documento oficial antes do fecho dos mercados na semana passada, um documento que a ser levado em séria consideração poderia provocar mudanças radicais na cotação de diversos títulos. Se o BCE quer fazer algo a sério e receber alguma credibilidade do mercado tem de impedir estas situações. Situações que não ocorrem com esta descaradez nos Estados Unidos, que são fortemente penalizadas quando ocorrem.

Voltando ao BCP, mantenho a referência técnica dos 0,94 cêntimos que tinha indicado na última análise como a grande fronteira no curto prazo, tendo esta referência ganho reforçado relevo após ter segurado o ímpeto ascendente de curto prazo. A ser quebrada em alta activará um H&S bottom no gráfico horário, com projecção a rondar os 11,6 cêntimos. A sua quebra convincente em alta poderá significar um rally ascendente de curto prazo que pode levar o título a testar a decisiva resistência dos 11,35 cêntimos. Vamos ver o que a próxima semana nos traz... Se a quebra em alta ocorrer, cá estaremos para o sinalizar!



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