segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Uma pequena pausa

Como já hão-de ter reparado, nas últimas semanas tenho andado menos presente do que o habitual. Tal deve-se a uma significativa sobreposição de temas do foro pessoal e profissional, que me têm sequestrado o pouco tempo disponível que ainda me restava. Decidi por isso que seria melhor fazer uma pequena pausa, até à primeira semana de Fevereiro, altura em que regressarei já com menos um tema a fazer-me peso nas costas. Até lá, deixarei a negociação manual de lado, Ficam por aqui os robots a trabalhar por mim, que é precisamente para isso que eles servem :) Até já!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

BCP de regresso às diluições massivas. E agora?

O BCP vai voltar aos aumentos de capital, desta vez com uma operação que representa um módico aumento de 1330 milhões de euros. Recordo que a capitalização bolsista está neste momento discretamente acima dos 650 milhões de euros... Por cada acção que detém actualmente, os accionistas receberão um direito. Cada direito permitirá por sua vez adquirir 14,7 novas acções, cada uma por 9,4 cêntimos. 

A absurda quantidade de aumentos de capital que o BCP já fez impede-me de ir comparar o nível de diluição a que o banco será sujeito desta vez com aquela a que foi sujeito em operações semelhantes no passado, mas não tenho dúvidas que será uma das maiores diluições de sempre. Faz lembrar os aumentos de capital do defunto Banif, um absurdo autêntico! Colocando um pouco de racionalidade e visão externa no processo, até acho que este aumento de capital é positivo para o banco. Acaba-se de uma vez com os CoCos (que obrigam ao pagamento de um juro também ele absurdo), e ainda sobra dinheiro para aumentar os bónus da equipa de gestão pela elevada competência na arte de ludibriar os accionistas. Ah, e para colocar os rácios de capital acima de 11%, claro. 

O que se espera que aconteça ao preço? Em aumentos de capital massivos, a tendência é geralmente descendente. Quando os direitos começarem a negociar, o preço ajustará para os 15 cêntimos, e o direito em si ficará com um valor que rondará os 70-80 cêntimos (difícil de prever como estará a cotação na altura, dado que ainda não há sequer data marcada para o ex-direito). Não se esqueçam, no entanto, que quem não vender nem exercer os direitos perde a totalidade do dinheiro!!! A boa notícia no meio disto tudo é que a Fosun já garantiu a subscrição antecipada de uma posição que pode chegar aos 31%, significando isso que terá de ir ao mercado comprar direitos para praticamente duplicar a posição actual: trocando por miúdos, os direitos não estarão tão pressionados. Consequentemente, o preço também não. Mais boas notícias, o sucesso do AC já está garantido por um consórcio bancário. Ainda que "sucesso" signifique apenas que a subscrição será feita na totalidade, e não que o preço não será arrastado pela lama para que isso aconteça. 

Em jeito de conclusão, se me pedirem para adivinhar em que nível estará o preço em Março (deixo desde já a ressalva que me engano com frequência nestes golpes de adivinhação), diria que será provável que esteja muito próximo dos 10 cêntimos. Após a acalmia do AC, e considerando o ajuste inicial para o patamar dos 15 cêntimos, é natural que gradualmente exista uma convergência para o valor da cotação que traz a diluição (mesmo descontando o valor subjacente aos direitos). Claro está que uma valorização dos direitos no período de negociação impediria essa convergência, mas a diluição é tão grande que dificilmente se esperará uma valorização muito expressiva. Admito inclusivamente alguma valorização (e muita volatilidade) durante a negociação dos direitos. Mas nem a Fosun deverá ter força suficiente para impedir a continuidade do movimento de desvalorização. E deixem-me dizer que se não fossem os shorts a estarem a encerrar posições, o preço estaria actualmente já num patamar muito inferior.  

E quanto a mim, imiscuir-me-ei nesta aventura? Claro está que não, já conhecem a minha opinião relativamente a aumentos de capital. Respeito quem o faz, mas respeito ainda mais a estatística. E esta diz que cerca de 90% dos aumentos de capital dão prejuízo. Quanto muito farei arbitragem, se surgir alguma oportunidade proveitosa sem grandes riscos associados. Boa sorte, contudo, a todos os pequenos investidores que estão dentro ou a pensar entrar. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Momentum da Navigator promete

O renovado sector da cortiça, papel e derivados foi o vencedor da sondagem semanal. Comecemos a ronda pela Navigator, que atravessa um excelente momento de médio prazo. Após activação de mais um padrão de inversão, o título evoluiu já cerca de 25%. Apesar de a projecção não ser muito ostensiva, foi rapidamente atingida. E a grande questão passa agora por saber onde poderá parar este ímpeto ascendente. Esse ponto poderá trazer alguma dificuldade, já que ainda recentemente tivemos um momentum semelhante que acabou de forma rápida e sem grandes sobreavisos. Pelo menos no gráfico diário, e será por isso de bom tom recorrermos uma vez mais ao gráfico horário para termos uma noção mais sensível destas potenciais movimentações.

Foi possível, na quebra anterior, detectar a movimentação pela quebra do suporte de referência para esse timeframe. Neste caso, para o momento actual, este suporte estaria nos 3,207€. Não será, contudo, um suporte que a ser comprometido signifique uma inversão na tendência de médio prazo. É possível, quase expectável até, que venha a surgir nova retracção em breve. Seja ou não neste ponto actual, o título está algo sobrecomprado e beneficiaria de um aliviar de tensão.  O título está forte, e numa óptica de longo prazo temos 2 swings consecutivos com máximos e mínimos relativos superiores aos anteriores. Significa isso, portanto, que apenas o compromisso do mínimo relativo anterior (2,526€) colocaria em causa o seu momentum ascendente de longo prazo. Até que isso aconteça, estou confiante na Navigator e acredito que o bom momento de longo prazo possa ter vindo para durar. Comprar nesta zona pode ser perigoso, mas uma retracção poderia representar uma boa oportunidade de entrada.





sábado, 7 de janeiro de 2017

Negociação Automática - Configuração de risco para Janeiro

Iniciado o mês de Janeiro, é altura de re-avaliar o risco da minha carteira de negociação automática. O meu erro no início de Dezembro levou-me a configurar um modelo de risco um pouco mais agressivo do que faria em condições normais, e receei que o evento no final do mês pudesse contribuir para que essa agressividade escalasse. Reconhecendo essa limitação psicológica, na primeira configuração de risco para 2017 decidi dar um passo atrás e copiar na íntegra a gestão de risco do Marcello em vez de seguir o meu próprio modelo. Foi algo que até hoje ainda não tinha feito, mas considerando a sua enorme experiência quando comparada com a minha (e os seus resultados muito consistentes), faz todo o sentido que pelo menos o tente. Poderá trazer-me algum desconforto acrescido, mas como temos perfis de risco relativamente semelhantes vale a pena tentar.

Ora, fica então para Janeiro o drawdown expectável estabelecido nos -3,76%, podendo atingir com 3 desvios-padrão os -5,44%. No que diz respeito ao lucro potencial, fica estimado nos 8,8%. Com + 3 desvios-padrão, o limite da faixa superior fica nos 23,02%. Quanto à probabilidade de ter uma rentabilidade inferior a zero, cifra-se este mês nos 3,19%. Apesar de a primeira semana do ano ter começado a meio gás, é para já suficiente para pelo menos manter a conta na zona verde. Agora é esperar consistência. E, já agora, um pouco menos de azar com os eventos extraordinários!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Jerónimo Martins põe fim ao mau momento

Depois de uma pausa na tendência ascendente, a Jerónimo Martins parece estar de regresso ao bom momento. Com o primeiro sinal de força a ser dado pela manutenção do suporte dos 14,36, o movimento de breakout de ontem "promete" levar o título até ao máximo relativo anterior. O volume ascendente tem sido forte, suportando assim essa hipótese.

No gráfico horário, o movimento de ontem foi antecipado por um Cup & Handle de inversão. A projecção foi entretanto atingida, mas geralmente este tipo de padrões acaba por não se extinguir no ponto de projecção. Dada a rapidez do movimento ascendente, o ponto de stop continua ainda nos 14,75€, servindo no entanto a base da vela que deu origem ao movimento como suporte intermédio. Caso o actual movimento siga pelo melhor caminho e os 15,73 sejam quebrados em alta, o mínimo relativo que se parece querer formar nos 15,48 poderia passar a ser o próximo ponto de suporte.